Casamento no exterior: minha experiência casando na Argentina

Casamento não é um assunto fácil, quando é em outro país, menos ainda. Depois das dúvidas iniciais, muitas outras foram aparecendo. Divido com vocês minha experiência casando na Argentina.

Eu sou brasileira, conheci meu marido na Austrália e ele é argentino. Planejar um casamento onde todos amigos, familiares estivessem presentes era impossível. Por isso, depois da emoção de estar noiva bateu um pequeno desespero.

Leia também: Estou noiva e agora? Como ser noiva em outro país.

Casando na Argentina e suas dificuldades

Depois que passou o desespero inicial, lá fui eu encarrar os fatos e correr atrás do casamento. Dia após dia fui aprendendo mais da cultura Argentina. Algumas coisas eu gostava e outra nem tanto. Como o fato de pedirem exame de sangue para casamento civil. Minha sogra me contou que na época dela o seu exame de sangue saiu positivo de que ela tinha uma doença, e tudo parecia muito estranho. Ela fez uma vez mais e não fazia sentido. No final o dono do hospital tinha uma birra com o pai dela e estava fazendo tudo mais complicado. Ela fez em outro hospital e deu tudo certo. Imagina como ela se sentiu preparando seu casamento e achando que tinha uma doença. Horrível.

Aí já criou um trauma na minha cabeça né? Eu fiquei receosa de fazer meu casamento civil na Argentina. Não que eu tivesse nada, mas sempre que posso evito qualquer exame de sangue. Se eu fiz 3 vezes nos meus 29 anos já é muito. Não ia casar no civil na Argentina, estava decidido. Deixei o casamento civil de lado e fomos atrás da data. Para planejar a data do casamento não foi uma tarefa fácil, afinal meus convidados teriam que ir do Brasil para a Argentina, eu tinha que pensar neles e claro na gente que mora na Austrália. Meu marido que estuda só podia nas férias, por sorte minhas amigas também. Escolhemos 9 de janeiro de 2016. Todos estavam felizes com a data. Começamos todos buscar passagem.

Definindo detalhes

Assim que a data foi definida, eu, meu noivo e sua família fomos em busca de um salão de festa. Aí começaram as diferenças. Os salões são mais simples e já oferecem serviços básicos que você não pode contratar por fora. Eu queria uma decoração mais elaborada e, no salão que eu gostei ela disse que eu não poderia contratar ninguém e que teria que usar a decoração dela (que não era o estilo que eu queria).

Decoração da mesa de doces.

O meu erro foi que eu já tinha fechado a data com uma decoradora. Eu adorei o trabalho dela e já tinha dado uma entrada. Ao explicar para ela que o salão não deixava eu levar ninguém de fora, ela disse que não podia fazer nada e ficou com o meu dinheiro. Primeira perca de dinheiro dessa experiência casando na Argentina (foram muitas).

Salão onde foi o jantar do casamento

Eu me cadastrei no site casamientos.ar e isso me ajudou muito. Estar lá com as noivas argentinas, trocar ideias e ver o que elas estavam fazendo. Foi lá que encontrei meu fotógrafo: Mati Lozada. Eles são jovens e fazem um estilo jornalístico, onde tiram milhões de fotos sem atormentar os noivos. Nós curtimos muito o trabalho deles. Nos arrependemos de não ter tirado foto com cada mesa, mas enfim, sempre há alguma coisa que nos arrependemos não é? O trabalho deles foi genial, e vocês podem ver pelas fotos aqui. Aqui vai o contato deles: https://www.facebook.com/siquieroproducciones/

Lindas fotos tiradas pelos meninos do Si Quiero.

Em busca de uma igreja

Começou a caça da igreja. Que lugar complicado para fechar uma cerimônia. O padre geral de Alta Gracia disse que sem a autorização dele nós não podíamos casar lá e que ele não entendia uma brasileira casando na Argentina. Ou seja aquele pensamento de cidade pequena né? Ele queria me conhecer. Tinha um pequeno problema, eu morava a um oceano de distância dele. As outras igrejas estavam sem a data que queríamos ou eram muito simples, o jeito era fazer as malas e ir na Argentina.

Conseguimos uma promoção com a Lan Chile e compramos nossa passagem para ir em julho de 2015 (data que criei esse artigo, mas agora estou atualizando para ter a visão geral). Aproveitamos para conhecer o padre, levar nossa documentação para ele, ver a igreja, provar as comidas, escolher a decoração e acertar os valores.

Provando as comidas para a nossa festa.

Na Argentina como a inflação é alta, os valores mudam o tempo todo. O valor de hoje não seria o mesmo. O salão nos deixava pagar apenas 70 convidados com o valor atual, o restante teria que ser pago na proximidade da festa (com a correção monetária).

Fechando com um cerimonial

Visitamos o salão e amamos. A comida era maravilhosa e outra coisa que me assustou, a abundância de comida. Não consegui provar de tudo. Seria a recepção com canapés, um jantar, um churrasco e pizzas no meio da noite. Ainda teria uma mesa de doces. Claro, nem aos pés da mesa do Brasil. Com muito sacrifício consegui convencer a minha cerimonialista a montar a minha mesa e os argentinos acham que isso era um luxo (coitados, ficariam de boca aberta ao ver os do Brasil).

Mesa de doces.

Nossa festa começaria as 20h e terminaria as 6 da manhã, e assim foi. Foram 10 horas de festa sem valor adicional. Vocês têm ideia do que é isso. Para alguém no Brasil fazer 10 horas de festa deveria pagar uma fortuna e nem sei se seria possível. A minha foi.

Geralmente em Alta Gracia os cerimoniais cobram o valor por pessoa e aí os noivos informam os amigos quanto custa a “tarjeta” e cada um paga sua entrada para a festa. Achei essa ideia revolucionária e não acreditava que as pessoas pagariam. Mas como eu não tinha cara para fazer isso, e meus convidados já estavam gastando um mundo de dinheiro para vir para a Argentina, decidimos pagar os convites. Porém é algo bem normal por lá.

Em relação aos presentes, como moramos na Austrália, enviamos junto com o convite um envelope de colaboração. Cada um colocava o quanto achava e deixaria em uma linda caixa de correio que eu tinha escolhido combinado com a cerimonialista (fica de olho para escutar o resultado final dessa história).

Igreja

Uma vez que definimos tudo com a cerimonialista, fomos para conhecer o padre. Ele ficou feliz em me conhecer e disse que sim podíamos casar na famosa igreja dos jesuítas porém teríamos que achar um padre. Oi? Como assim? Se isso fosse um filme se chamaria: Casando na Argentina, a aventura. Começou a nossa busca por padre. Geralmente em janeiro eles estão de férias e ninguém quer fazer casamento. Esse problema me deixou sem dormir até uma semana antes do casamento, quando minha sogra conseguiu um padre pra gente. A igreja é tão linda que não precisava de quase nada de decoração. Minha cunhada entrou em contato com uma floricultura e escolheu uns arranjos. As floriculturas de Alta Gracia não tinham opção nenhuma de flores, ainda mais comparada com o Brasil.

Igreja ao lado da Estancia jesuíta.

O som da igreja ainda era toca discos, ainda rio até hoje com isso. Meu amigo levou um speaker no dia e problema resolvido. Deixamos que o padre escolhesse como seria a cerimônia, e foi a melhor coisa que fizemos. Ele fez algo resumido, dinâmico, e nos colocou de frente para os convidados. Ninguém aguentou as lágrimas.

Momento especial da cerimonia onde pudemos ver nossos convidados.

Depois de resolvermos todos os problemas e deixar tudo organizado, voltamos para a Austrália. Organizamos nosso casamento civil lá mesmo, era mais fácil, íntimo e uma forma de fazer nossos amigos participarem. Porém eu conto essa história um outro dia.

Acertando os detalhes

Quando voltamos para a Argentina em dezembro antes do casamento, os nervos foram aumentando. Pagamos o que restava, acertamos alguns detalhes e era hora de curtir. Mas meus problemas só aumentavam. Meu cabelo ficou verde uma semana antes da festa, por causa do cloro da piscina. Um desespero. A mulher do salão consertou, mas deixou ele bem amarelado.

Acertei um táxi para buscar a todos no aeroporto, todo mundo me mandou dinheiro e eu cuidei da acomodação pra todos. Estava tudo certo, o pessoal começou a chegar e era só alegria. Passamos por dias maravilhosos até o grande dia.

Amigos e familia aproveitando Alta Gracia.

Casando na Argentina: o grande dia

Me arrumei com as minhas amigas na casa da minha cunhada. E foi muito divertido. Não tirei muitas fotos com meu vestido de noiva já que começamos a correr contra o tempo. Meu cunhado que nos levava, foi na direção errada, achou que era em outra igreja. Que aventura, tivemos que correr contra o tempo para voltar rápido.

Eu e minhas damas de honra.

A cerimônia foi linda, e mesmo não sendo da cultura Argentina, eu fiz todo mundo entrar na igreja como manda o figurino. Todos amaram. De lá fomos para a festa que foi um espetáculo. Posso dizer que não tirei milhões de fotos que nem outras noivas. Fotos posadas e lindas que marcam o dia, porém eu aproveitei cada segundo. Esse negócio de que na festa nenhuma noiva come, eu comi de tudo. Bebi todas porém tomei muita água. Dancei com praticamente todos os convidados e acredito que isso foi melhor do que tirar milhões de fotos. E ainda de surpresa a minha sogra contratou um casal para dançar na festa. Foi demais.

Casal de dançarinos. Arrasaram.

O inesperado: ser roubada na sua festa

O único problema foi em relação aos envelopes que nossos amigos nos deram de presente no dia da festa. Em vez de ser uma caixa de correio linda, era uma caixa de sapato que qualquer um podia abrir. Ela estava em cima de uma bancada e a minha sogra vendo que não tinha ninguém em volta, pegou a caixa e colocou no carro, afinal nós estávamos na casa dela.

A cerimonialista ficou muito chateada com isso e vez um escândalo. O combinado seria que ela colocaria a caixa na sala da noiva e eu levaria depois. Porém achei estranha a atitude dela, afinal quem pegou foi a minha sogra. No final peguei minha bolsa que estava no quarto da noiva e lá tinha um envelope de um casal de amigos nossos e o resto do dinheiro para o fotógrafo. Ao chegar no hotel que íamos passar nossa noite de núpcias, me dou conta de que não havia mais dinheiro algum na minha bolsa. Fui roubada no meu próprio casamento. A responsável pelo local Eva Milanesio, não quis se responsabilizar e levantou muita suspeita em relação ao escândalo de deixar a caixa com o dinheiro no quarto da noiva.

Se eu tivesse deixado lá, provavelmente teriam roubado tudo. Um absurdo um local que parecia tão bom como La Arbolada, participar de um esquema tão sujo como esse. E eu desisti de outros salões justamente por isso. Por ter lido review de pessoas que casaram e foram roubadas. Melhor não levar nada de valor para a festa. E se for pedir dinheiro, leve uma caixa de correio ou uma caixa com cadeado, onde o cadeado esteja na sua casa e você não tenha que se preocupar com isso.

Casando na Argentina: o resumo

Essa foi a minha experiência casando na Argentina, deixo agora o vídeo de resume do meu casamento para ilustrar um pouco tudo que mostrei aqui. Espero que gostem.

Leia aqui todos os posts de casamento, ou aqui todos os post da Argentina

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