Viajar de trem para Chengdu – China

Minha viagem para a China não foi preparada e programada com antecedência como para os outros países da Ásia. Tudo era novo. Depois de uma semana em Guilin era hora de viajar de trem para Chengdu.

A barreira linguística atrapalha muito, afinal é muito mais difícil se comunicar quando além da língua ser diferente, eles escrevem tudo em símbolo. Sabíamos que a maioria dos chineses preferiam viajar de trem, então optamos para usar esse meio para ir a Chengdu.

A primeira dificuldade foi comprar nossas passagens. Perguntamos no nosso hostel como podíamos fazer isso e eles anotaram em um papel em chinês: para onde queríamos ir, a data e quantas pessoas. Fomos confiantes para a estação de trem que é uma loucura. Ninguém respeita a fila, tudo era símbolos e claro, ninguém falava inglês. Chegou nossa vez. Entregamos o papel e a mulher olhou para nossa cara com curiosidade, falou três palavras (que pode ter sido uma frase) e eu apenas balancei a cabeça. Saímos de lá com nossas passagens nas mãos.

Passagens de trem

Viajar de trem para Chengdu

Chegando no hostel fui pesquisar por curiosidade quanto tempo duraria nosso trajeto. Fiquei de boca aberta. Seriam 25 horas, em um trem com chineses apenas. Como íamos estar por conta própria nesse trem, decidimos comprar um monte de comida, afinal era muito tempo. Fomos a um mercadinho que fica do lado do hostel e compramos bananas, água, carambolas e biscoitos.

Chegamos cedo na estação de trem e ficamos super perdidos. Não sabíamos em que direção ir. Mostrei a passagem para um homem e ele me apontou uma direção. Quando chegamos no lugar indicado, mostrei a outra pessoa apenas para confirmar e estava tudo certo. Estava lotado e todo mundo esperando contra um portão. Deu 5 minutos antes do trem sair e o portão abriu liberando a multidão. Mas espera aí, por que estão todos correndo? Não tinha ideia. Saímos correndo também (mais tarde fui descobrir que muitas pessoas compram passagens abertas e se elas chegam primeiro podem ir sentadas).

Chegamos no trem, mostrei para alguém que trabalhava lá e me indicaram meu vagão. Quando chegamos no nosso número descobrimos que eram camas tipo beliche. Sem brincadeira, a nossa cama era a última em cima e tinha apenas dois palmos entre a cama e o teto. Minha cabeça estava a mil. Como passaria 25 horas nesse espaço micro? Não tinha ideia, mas era o que tínhamos.

A jornada de 25 horas

Eu e meu marido conversamos, arrumamos um esquema para colocar o computador em uma cama e que os dois pudessem ver. Vimos 3 filmes e as horas não passavam. Chegou a hora de ir no banheiro, quando desci a escada, todos os olhares se viraram em minha direção. Todos me olhavam, sem exceção, com olhares curiosos. Alguns até se arriscaram a tentar falar comigo em chinês. Apenas balançava a cabeça. Ainda bem que o símbolo de banheiro é internacional. O banheiro era simples e um pouco sujo, mas não esperava outra coisa. Na volta o mesmo, todos me olhando. Voltei para minha cama incomoda e o jeito era tentar dormir.

Quando acordei no outro dia, não parava de pensar em como nós íamos saber onde era nossa parada. Esse trem cruzava a China e parava em vários lugares durante seu percurso. Comecei a ficar preocupada. Desci da minha cama e fiquei um pouco sentada, tentando em vão, fazer amizade com os chineses das camas de baixo. Um deles até tentou falar comigo, aproveitei e mostrei minha passagem. Ele fez um sinal que parecia que ele ia me avisar quando chegássemos. O jeito foi confiar nele.

E não é que deu certo?! Chegamos um pouco quebrados, mas sobrevivemos. A lição que aprendi é comprar com antecedência e pedir ao hostel para escrever que eu quero a cama de baixo.

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18 Comments

  1. Renato Alves

    11 de agosto de 2016 at 07:56

    Adoro viajar de comboio. Mas 25 horas é sempre puxadinho:)

  2. Contramapa

    9 de agosto de 2016 at 05:11

    25 horas de comboio? É de uma pessoa ficar sem pernas! Oh meu deus!! Espero que tenha corrido tudo bem 🙂

  3. Pedro Henriques

    8 de agosto de 2016 at 19:30

    Uau! Grande jornada essa, 25 horas de comboio!! Se bem que eu já tive uma viagem de 30 horas de autocarro…A China é uma país que me fascina, mas ainda não tive oportunidade de visitar. Vou guardar estas dicas no dia em que embarcar para este destino fantástico!

    1. Giulia Sampogna

      8 de agosto de 2016 at 20:50

      30 horas de carro? De onde para onde? E mais cansativo ainda.

  4. André Parente - Tempo de Viajar

    8 de agosto de 2016 at 18:07

    Ehehe bela aventura! As viagens são feitas disso mesmo e, às vezes, são as melhores recordações que trazemos 🙂 Obrigado pela história!

    1. Giulia Sampogna

      8 de agosto de 2016 at 19:24

      É verdade Andre. Obrigada pelo comentário.

  5. Camila Lisbôa

    8 de agosto de 2016 at 11:13

    Gente, que loucura! 25 horas de trem não é fácil e ainda mais na China! Mas essas histórias é que são as melhores 🙂 Fiquei com vontade!

    1. Giulia Sampogna

      8 de agosto de 2016 at 17:25

      E verdade Camila. Mas se for não esqueça de pegar a cama de baixo hahahaha

  6. angie

    7 de agosto de 2016 at 23:53

    affff 25 hoooooras meodeosss eu peguei um de 12 no Vietnã, mas por sorte a cama tinha um espaço razoável e na cabine tinah um casal de ingleses (que me deram whisky até ahuahea) não tentamos comprar direto na estação, pedimos ao hostel pq sabia que poderia dar cagada ahueaheu ainda bem que vcs conseguiram chegar aonde queriam!!!

    1. Giulia Sampogna

      8 de agosto de 2016 at 17:27

      Uau Angie. De onde a onde você foi de trem no Vietnã? Nem sabia que eles tinham trem hahaha fiz todo o pais de ônibus. Realmente whisky já da uma ajudada na hora de dormir hahahaa.

  7. Luís Seco

    7 de agosto de 2016 at 05:24

    Imagino que a barreira da língua torne tudo mais difícil em muitos países da Ásia, cujos caracteres nem sequer conseguimos ler. É bom saber da experiência de outros viajantes na China.

    1. Giulia Sampogna

      8 de agosto de 2016 at 17:28

      Realmente Luis e essa viagem foi uma das mais difíceis justamente por isso. Obrigada pelo comentário.

  8. Liliane Inglez de Souza

    7 de agosto de 2016 at 03:53

    Que aventura, hein? 25 horas no trem!! As paisagens eram bonitas para se ver durante o dia? Um abraço!

    1. Giulia Sampogna

      8 de agosto de 2016 at 17:29

      Liliane eu não conseguia ver a janela hahahaha esta exatamente a dois palmos do teto. Foi horrível hahahaha

  9. Fran Agnoletto

    6 de agosto de 2016 at 23:55

    25 horas em um trem não é para os fracos, hein?
    Bela jornada!

    Abraços,
    Fran @ViagensqueSonhamos

    1. Giulia Sampogna

      8 de agosto de 2016 at 17:30

      Não é mesmo não. Obrigada pelo comentário.

  10. Itamar Japa

    6 de agosto de 2016 at 23:25

    Nossa, que super aventura… 25 horas em um trem onde ninguém entende o que você fala é uma experiencia e tanto. Eu adoraria fazer uma destas! O máximo que andei de trem foi 11 horas na Rússia, mas até que consegui me comunicar bem com a vizinha de cama, rsrsrs. Adorei a história, me encheu de vontade! 🙂

    1. Giulia Sampogna

      6 de agosto de 2016 at 23:34

      Foi uma experiencia muito louca. Como se comunicou com sua vizinha de cama, em Russo??? hahahaha

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